O que é o GHS
O GHS é o sistema globalmente harmonizado para classificação de perigos e comunicação de risco químico. No Brasil, a referência técnica vigente é a ABNT NBR 14725:2023 Versão Corrigida 2:2025.
Para misturas, o desafio é maior do que para substâncias puras: a classificação depende de composição, dados toxicológicos, limites de corte e regras diferentes conforme a classe de perigo.
Princípio básico: aditividade vs não-aditividade
Perigos aditivos
Casos em que a contribuição de cada ingrediente é proporcional à sua concentração, como toxicidade aguda.
Perigos por cutoff
Casos em que a simples presença acima de determinado limite já aciona a classificação, como carcinogenicidade e sensibilização.
Saber qual lógica usar antes do cálculo evita erro estrutural no enquadramento da mistura.
Fórmula ATE para toxicidade aguda
Para toxicidade aguda, a mistura pode ser enquadrada com a fórmula ATE, que pondera o efeito de cada ingrediente conforme concentração e toxicidade conhecida.
O cálculo deve ser feito por via de exposição. O resultado final precisa ser comparado com os limites de categoria para via oral, dérmica e inalatória.
| Categoria | Oral (mg/kg) | Dérmica (mg/kg) | Inalatória gases (ppmV) |
|---|---|---|---|
| 1 | ATE até 5 | ATE até 50 | ATE até 100 |
| 2 | 5 a 50 | 50 a 200 | 100 a 500 |
| 3 | 50 a 300 | 200 a 1000 | 500 a 2500 |
| 4 | 300 a 2000 | 1000 a 2000 | 2500 a 20000 |
Ingredientes sem dados toxicológicos
Quando um ingrediente não possui LD50 ou LC50 confiável, a classificação tende a ficar mais conservadora. É exatamente aqui que planilhas improvisadas mais quebram o processo.
Thresholds brasileiros
A NBR 14725:2023 usa thresholds para definir quando um ingrediente perigoso arrasta a mistura para uma classe de perigo.
- Carcinogenicidade categoria 1A/1B com cutoff rigoroso
- Mutagenicidade e toxicidade reprodutiva por limite de corte
- Sensibilização e STOT dependentes de concentração mínima
- Perigos ao meio ambiente com regras específicas de composição
O ponto crítico não é decorar o número, é garantir que a base de composição e a classificação do ingrediente estejam corretas.
Classes de perigo prioritárias na prática
- Inflamabilidade e perigos físicos
- Toxicidade aguda
- Corrosão e irritação
- Sensibilização respiratória e cutânea
- Carcinogenicidade, mutagenicidade e toxicidade reprodutiva
- Perigos aquáticos agudos e crônicos
A escolha errada da classe inicial costuma contaminar frases H/P, pictogramas, rótulo e FDS inteira.
Pictogramas e rotulagem
Depois da classificação, o rótulo precisa refletir pictogramas, palavra de advertência e frases H/P coerentes com o enquadramento final. O erro mais caro é quando o rótulo diverge da FDS emitida.
Classificação boa nasce de base confiável
O melhor ganho operacional vem de ligar composição, dados toxicológicos, regras GHS e emissão documental num fluxo único.