EntrarCriar conta grátis

Conteudo tecnico

Como Classificar uma Mistura pelo GHS: Regras Brasileiras (ABNT NBR 14725:2023)

Thresholds brasileiros, fórmula ATE, classes de perigo e leitura operacional da ABNT NBR 14725:2023 para misturas.

14 min de leitura

O que é o GHS

O GHS é o sistema globalmente harmonizado para classificação de perigos e comunicação de risco químico. No Brasil, a referência técnica vigente é a ABNT NBR 14725:2023 Versão Corrigida 2:2025.

Para misturas, o desafio é maior do que para substâncias puras: a classificação depende de composição, dados toxicológicos, limites de corte e regras diferentes conforme a classe de perigo.

Princípio básico: aditividade vs não-aditividade

Perigos aditivos

Casos em que a contribuição de cada ingrediente é proporcional à sua concentração, como toxicidade aguda.

Perigos por cutoff

Casos em que a simples presença acima de determinado limite já aciona a classificação, como carcinogenicidade e sensibilização.

Saber qual lógica usar antes do cálculo evita erro estrutural no enquadramento da mistura.

Fórmula ATE para toxicidade aguda

Para toxicidade aguda, a mistura pode ser enquadrada com a fórmula ATE, que pondera o efeito de cada ingrediente conforme concentração e toxicidade conhecida.

100 / ATE_mix = soma(C_i / ATE_i)

O cálculo deve ser feito por via de exposição. O resultado final precisa ser comparado com os limites de categoria para via oral, dérmica e inalatória.

CategoriaOral (mg/kg)Dérmica (mg/kg)Inalatória gases (ppmV)
1ATE até 5ATE até 50ATE até 100
25 a 5050 a 200100 a 500
350 a 300200 a 1000500 a 2500
4300 a 20001000 a 20002500 a 20000

Ingredientes sem dados toxicológicos

Quando um ingrediente não possui LD50 ou LC50 confiável, a classificação tende a ficar mais conservadora. É exatamente aqui que planilhas improvisadas mais quebram o processo.

Thresholds brasileiros

A NBR 14725:2023 usa thresholds para definir quando um ingrediente perigoso arrasta a mistura para uma classe de perigo.

  • Carcinogenicidade categoria 1A/1B com cutoff rigoroso
  • Mutagenicidade e toxicidade reprodutiva por limite de corte
  • Sensibilização e STOT dependentes de concentração mínima
  • Perigos ao meio ambiente com regras específicas de composição

O ponto crítico não é decorar o número, é garantir que a base de composição e a classificação do ingrediente estejam corretas.

Classes de perigo prioritárias na prática

  • Inflamabilidade e perigos físicos
  • Toxicidade aguda
  • Corrosão e irritação
  • Sensibilização respiratória e cutânea
  • Carcinogenicidade, mutagenicidade e toxicidade reprodutiva
  • Perigos aquáticos agudos e crônicos

A escolha errada da classe inicial costuma contaminar frases H/P, pictogramas, rótulo e FDS inteira.

Pictogramas e rotulagem

Depois da classificação, o rótulo precisa refletir pictogramas, palavra de advertência e frases H/P coerentes com o enquadramento final. O erro mais caro é quando o rótulo diverge da FDS emitida.

Classificação boa nasce de base confiável

O melhor ganho operacional vem de ligar composição, dados toxicológicos, regras GHS e emissão documental num fluxo único.